quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

O mundo está diferente. Não... Não é mais um senso comum de que o mundo está mudando, que estamos no final dos tempos e que Jesus está voltando (mas de qualquer forma seja bonzinho, caso contrário, o inferno e todas aquelas lanças o aguardam).

No dia em que completei 23 anos e 12 meses (afinal, macho que é macho num faz 24 anos – risos) acordei após um sonho que talvez seja o motivo desses pensamentos que insistem em bailar em minha cabeça. Nesse sonho eu voltava ao ano de 2004. Eu e a Monique (irmã) havíamos voltado no tempo para aquele ano (não me pergunte como, era um sonho e como tal, nem tudo se encaixa ou tem explicação). Acho que foi por ser o ultimo ano antes de tantas mudanças.

Remontando o que eu vivia naquele ano, pra começar, foi o ano em que fui iniciado na Ordem DeMolay. Até então uma instituição um tanto quanto desconhecida pra mim, mas que os ensinamentos moldam meus dias. Deixo pra falar disso em uma outra oportunidade, as reflexões são consideráveis.

Nesse ano eu estava no ensino médio (segundo ano) e a responsabilidade ainda não caía sobre meus ombros. Era só não ficar de recuperação que estava tudo bem. Essa meta eu seguia à risca. Sem preocupação com vestibulares, no máximo com avaliação seriada, que eu não sabia a fundamental importância, portanto, fazia nas coxas mesmo, sem nenhum peso na consciência.

Em 2004 eu também tinha um relacionamento sólido. Gostava bastante (pra não dizer que amava, só pra evitar o melancolismo). Era apenas o segundo ano de namoro e as descobertas eram intensas e mútuas.

Meu pai na sala, com um prato, tira os sapatos e as meias e liga a TV no jornal. Se pedir aos meus irmãos para descreverem essa cena, acho que a riqueza de detalhes vai impressionar. Meu cérebro mais uma vez brincando comigo. Era a simbologia do tempo de casado dos meus pais, coisa de infância. Era o ultimo ano que permaneceriam assim. Esse fato, ainda não tenho certeza (e nunca terei, pois parte nunca passará de especulação) se pra melhor ou pra pior, realmente mexeu com os anos subsequentes.

Todos os irmão em casa, foi bom ver o Iargo gordinho, o Dudu falando “naix” e “paxão vá vida”, além de ficar dando estrelinha com uma mão (coisas que aconteceram em tempos diferentes, mas ali estavam misturadas).

Agora o motivo da Monique ter ido comigo? Ainda não sei... Talvez eu sinta que ela tenha sido a ponte entre o antigo e o novo. Sempre fomos muito próximos, sempre compartilhamos muita coisa (quase gêmeos também), mas os anos que se seguiram, mesmo com atitudes que considero um abismo de insanidades contracenados com uma mistura de ousadia e força, fomos um pilar um para o outro. Mas ainda não tenho certeza dessas afirmativas, mais uma vez traço essas linhas sem exatidão.

O que ainda não consigo entender é o porquê de não ter visto a minha avó. Com certeza a maior perda de todas até hoje em minha vida. Aquele também era o ultimo ano em que ela estaria entre a gente (o carnaval de 2005 não foi muito generoso com a família).

Isso realmente tem mexido bastante comigo. Eu até procurei (eu sabia que havia voltado para o ano de 2004). Quando acordei a frustação era enorme. Tenho medo de tentar achar uma resposta para o motivo. Será que estou esquecendo aquela face? Isso é pouco provável, mas nos altos do pensamento não posso desconsiderar.

O timbre da sua voz ainda ecoa nos meus ouvidos. Poucos meses antes de partir, ela me confessou, sem saber que estava confessando, algo que pra sempre vai ficar cravado no peito e que talvez tenha me feito mudar muitos conceitos, juntando àquelas palavras aos baluartes que regem minha vida. Posso até julgar que o que ela me disse naquela tarde é o principal motivo pelo qual não aceito bem uma derrota minha, aliás, não aceito que eu decepcione as pessoas que estão à minha volta.

Recolhendo os cacos desse sonho, resumo que foi bom, que estive feliz naqueles poucos minutos que voltei ao Prado. Queria poder ficar pelo menos mais uns 20 minutinhos naquela nostalgia. Afinal, recordar é viver.