segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ENFIM

Pele, boca, pêlo
São coisas que ainda
Fazem falta
Nesse travesseiro

Cheiro...
Que nas manhãs ao seu lado
Me recordava que Deus
Fizera curtos dias maravilhado

Entrelaçar nas serenadas
Sem perceber a dança dos ponteiros
Com a morte se aproximando
Nas distâncias das nossas coxas

Enfim se foi
Assim acabou
Sem algum rancor
Pôs-te a outras valsas dançar.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

ASSIM SE FOI



Relutei por muito a dissertar essas linhas. Desconforto-me nesse hostil ambiente em que a emoção sobrepõe a razão. Sentei de fronte ao computador por inúmeras vezes, abri o caderno de rascunho outras tantas e sempre esse visitante indesejável insistia em preencher meus olhos. Não podia mais adiar.

Há quem talvez duvide da intensidade ou da sinceridade destas palavras devido ao pouco tempo de amizade, porém, quando está longe de casa, os amigos se tornam a família. Acrescentado a esse laço a memória do lar, tudo se faz em um relâmpago e não se diferencia meses de anos.

Relâmpago... Essa palavra pode definir o início e o fim. Na mesma velocidade em que tudo construiu, se foi. Um telefonema na manhã de sexta, o coração disparado, a incredulidade e o súbito desejo de ser apenas mais um pesadelo.

Achei que estava preparado para lidar com a morte, mas mais uma vez, bate-me à face minha arrogância. Ao contrário do que fielmente acreditava, nem mesmo a medicina pode ensinar a conviver com essa sombra que nos persegue até o dia em que nos consegue vencer.

Pergunto-me o que é preciso para exercer a prática médica. Conhecimento? Técnica? Isso se constrói durante os anos de faculdade, porém, ela tinha algo a mais, algo que já a fizera destacar-se no primeiro semestre como discente, algo que pensando de forma romântica, talvez seja a mensagem que tenha nos deixado. Amor ao próximo. Com um sorriso sempre à exposição era impossível ficar triste em sua presença.

Mais do que uma promissora médica, o mundo perdeu uma grande pessoa. Nós perdemos uma grande amiga. A família perdeu um inigualável tesouro.

Encerro essas linhas, ainda que precocemente, pois começo a umedecer o rosto e me encontro novamente em ambiente desconfortável e hostil. Porém, não antes de dizer aquilo que já sentia e que foi comungado por todos da sua turma de faculdade. Agora é por você também Calourinha.

SAUDADES ANINHA!!!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

O mundo está diferente. Não... Não é mais um senso comum de que o mundo está mudando, que estamos no final dos tempos e que Jesus está voltando (mas de qualquer forma seja bonzinho, caso contrário, o inferno e todas aquelas lanças o aguardam).

No dia em que completei 23 anos e 12 meses (afinal, macho que é macho num faz 24 anos – risos) acordei após um sonho que talvez seja o motivo desses pensamentos que insistem em bailar em minha cabeça. Nesse sonho eu voltava ao ano de 2004. Eu e a Monique (irmã) havíamos voltado no tempo para aquele ano (não me pergunte como, era um sonho e como tal, nem tudo se encaixa ou tem explicação). Acho que foi por ser o ultimo ano antes de tantas mudanças.

Remontando o que eu vivia naquele ano, pra começar, foi o ano em que fui iniciado na Ordem DeMolay. Até então uma instituição um tanto quanto desconhecida pra mim, mas que os ensinamentos moldam meus dias. Deixo pra falar disso em uma outra oportunidade, as reflexões são consideráveis.

Nesse ano eu estava no ensino médio (segundo ano) e a responsabilidade ainda não caía sobre meus ombros. Era só não ficar de recuperação que estava tudo bem. Essa meta eu seguia à risca. Sem preocupação com vestibulares, no máximo com avaliação seriada, que eu não sabia a fundamental importância, portanto, fazia nas coxas mesmo, sem nenhum peso na consciência.

Em 2004 eu também tinha um relacionamento sólido. Gostava bastante (pra não dizer que amava, só pra evitar o melancolismo). Era apenas o segundo ano de namoro e as descobertas eram intensas e mútuas.

Meu pai na sala, com um prato, tira os sapatos e as meias e liga a TV no jornal. Se pedir aos meus irmãos para descreverem essa cena, acho que a riqueza de detalhes vai impressionar. Meu cérebro mais uma vez brincando comigo. Era a simbologia do tempo de casado dos meus pais, coisa de infância. Era o ultimo ano que permaneceriam assim. Esse fato, ainda não tenho certeza (e nunca terei, pois parte nunca passará de especulação) se pra melhor ou pra pior, realmente mexeu com os anos subsequentes.

Todos os irmão em casa, foi bom ver o Iargo gordinho, o Dudu falando “naix” e “paxão vá vida”, além de ficar dando estrelinha com uma mão (coisas que aconteceram em tempos diferentes, mas ali estavam misturadas).

Agora o motivo da Monique ter ido comigo? Ainda não sei... Talvez eu sinta que ela tenha sido a ponte entre o antigo e o novo. Sempre fomos muito próximos, sempre compartilhamos muita coisa (quase gêmeos também), mas os anos que se seguiram, mesmo com atitudes que considero um abismo de insanidades contracenados com uma mistura de ousadia e força, fomos um pilar um para o outro. Mas ainda não tenho certeza dessas afirmativas, mais uma vez traço essas linhas sem exatidão.

O que ainda não consigo entender é o porquê de não ter visto a minha avó. Com certeza a maior perda de todas até hoje em minha vida. Aquele também era o ultimo ano em que ela estaria entre a gente (o carnaval de 2005 não foi muito generoso com a família).

Isso realmente tem mexido bastante comigo. Eu até procurei (eu sabia que havia voltado para o ano de 2004). Quando acordei a frustação era enorme. Tenho medo de tentar achar uma resposta para o motivo. Será que estou esquecendo aquela face? Isso é pouco provável, mas nos altos do pensamento não posso desconsiderar.

O timbre da sua voz ainda ecoa nos meus ouvidos. Poucos meses antes de partir, ela me confessou, sem saber que estava confessando, algo que pra sempre vai ficar cravado no peito e que talvez tenha me feito mudar muitos conceitos, juntando àquelas palavras aos baluartes que regem minha vida. Posso até julgar que o que ela me disse naquela tarde é o principal motivo pelo qual não aceito bem uma derrota minha, aliás, não aceito que eu decepcione as pessoas que estão à minha volta.

Recolhendo os cacos desse sonho, resumo que foi bom, que estive feliz naqueles poucos minutos que voltei ao Prado. Queria poder ficar pelo menos mais uns 20 minutinhos naquela nostalgia. Afinal, recordar é viver.

sábado, 31 de janeiro de 2009

TALVEZ VÁ

TALVEZ VÁ

Aqueles negros cães
Que outrora desteciam a minha face
Hoje comigo brincam e rodam
Na ciranda da fênix

Aquele medo
Que se encarregava da minha alma
Hoje é o que me dá esperança
Para rir com o sofrimento

Já espero o apito
E o início do meu julgamento
Sem importar onde vou ficar
O dado é o meu alento

A aureola não foi entregue a todos
Portanto não cabe a mim decifrar
Apenas aceitei o jogo
Agora vamos ver no que vai dar

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

ETERNA VALSA

Depois de algum tempo você percebe que é preciso olhar para trás e aprender com o seu sábio e às vezes doloroso passado. É preciso superar os erros, que nem sempre são seus, mas que as marcas, como um sinal de culpa, estão em seu corpo.


Acaba descobrindo que a pessoa com quem sonhava em mudar o mundo acaba partindo ao amanhecer e deixando a cama desarrumada igual na manhã passada. Com os olhos úmidos, você dobra o lençol e guarda o travesseiro que ainda reservam aquele cheiro do suor.


Os raios que entram pela pequena fresta da janela anunciam que o dia chegou, é preciso levantar e lutar. Ao tentar pegar as suas armas, vê a espada sem lâmina e o escudo quebrado, já está indefeso para o combate, mas o mundo não parou, ele ainda dança a eterna valsa em sua porta.


É quando se abre a janela, quando se deixa a luz entrar, que se percebe que o teto é azul, que a pequena plantinha ainda sobrevive, que a borboleta saiu do casulo, que o vizinho já foi comprar o pão e que ninguém tirou o retrato da cabeceira. Ao olhar pela janela, ainda com os olhos repulsando a luz, é possível ver que do outro lado dançam em seu lugar, cada passada daquela valsa pertence a você.


Corra e retire do guarda-roupa aquele velho sapato que ainda lhe serve, abra a porta e vá ocupar o seu lugar naquela dança. Sinta o som da vida, ouça os pássaros, eles não estão ali por sua causa, mas você pode fazer deles a sua sinfonia.


E dance, simplesmente dance com a vida, dance como nunca dançou antes e não espere que ela te chame pra próxima música, depende de você continuar valsando e conduzindo-a para as próximas melodias.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

ADOLESCÊNCIA


Conservadoriano, pai de Virginia, namorada de Nhanhá, como todo bom pai, estava sentado na poltrona do papai, assistia ao futebol de domingo.

Virginia entrou em casa, passou entre o pai e a televisão algumas vezes, aliás, várias vezes, como se fosse no sentido banheiro/cozinha e voltasse. Assim que o juiz apitou o final da emocionante partida, Conservadoriano percebeu e achou estranho a atitude da filha e em um dos momentos em que ela passava na sua frente ele a parou e perguntou:

_ Meu amor, porque tanto passa aqui? Papai já está desconfiado que esteja acontecendo alguma coisa com a minha princesinha.

Virginia então, rapidamente e sem pensar, sentou ao lado do pai, olhou-o com uma cara meiga e preocupada, dando continuidade a um respirar profundo disse:

_ Pai, o Nhanhá está querendo dormir esta noite aqui em casa, falei com ele que não teria problema, já que o meu pai conhece bem a sua princesina e sabe que ela não faria nada de errado. Estou certa?

Um tapa na cara. Foi a sensação que ele sentiu. Muitas coisas borbulhavam em sua cabeça, porém, aceitou.

A noite chegou. Conservadoriano sentado na poltrona do papai ainda se indagava sobre a madrugada que se aproximara. Virginia abriu a porta e entrou segurando a mão de Nhanhá. O namorado balançou a cabeça em sinal de cumprimento ao sogro. Conservadoriano o espancava com os olhos. Não passou muito tempo e foram dormir.

O dia seguinte era dia de feira. Ele sabia disso, mesmo assim não dormia, no máximo algumas pescadas, tinha que ficar atento com o que estava acontecendo.

“Toc”. Um barulho vindo do quarto. Eu vou ou não vou? Questionava-o. Levantou da cama, andou de um lado para outro, ouviu outros “tocs” continuou andando. Aquilo podia ser fruto da sua imaginação já que estara muito apreensivo com tudo. Tirou uma garrafa d’água do frigobar, bebeu no bico e em espaçosos goles. Resolveu ir. Caminhou até a porta, segurou na maçaneta, começou a gira-la, refletiu e decidiu não ir. Voltou para a cama e deitou.

Amanheceu, Conservadoriano já estava em pé. Sua princesinha saiu do quarto com um lençol nas mãos, colocou-o no tanque, quando percebeu a presença do pai, voltou, deu-lhe um beijo e continuou a lavar a peça.

Conservadoriano ficou totalmente sem reação. Viu aquele medíocre saindo do quarto e entrando no banheiro. Hora perfeita para verificar a situação. Quando colocou os olhos no quarto a cama ainda estava meio bagunçada. Aliviou-se quando viu um lençol por cima. Ficou convicto que aquele era o lençol da noite, o outro com certeza era algum que estava sujo e sua princesinha resolveu lavar.

Com a consciência mais tranqüila foi para a sala, já estava pronto para ir ao trabalho, esperava apenas Virginia e o namorado, já que daria uma carona até o colégio. Enquanto isso assistia ao jornal sentado na poltrona do papai. Virginia chegou com um olhar meiogo e disse:

_ Pai, hoje o Nhanhá vem dormir de novo, a Claudinha e o Carlos também.

_ Quem é Carlos?

_ O namorado da Claudinha.