quarta-feira, 17 de setembro de 2008

ADOLESCÊNCIA


Conservadoriano, pai de Virginia, namorada de Nhanhá, como todo bom pai, estava sentado na poltrona do papai, assistia ao futebol de domingo.

Virginia entrou em casa, passou entre o pai e a televisão algumas vezes, aliás, várias vezes, como se fosse no sentido banheiro/cozinha e voltasse. Assim que o juiz apitou o final da emocionante partida, Conservadoriano percebeu e achou estranho a atitude da filha e em um dos momentos em que ela passava na sua frente ele a parou e perguntou:

_ Meu amor, porque tanto passa aqui? Papai já está desconfiado que esteja acontecendo alguma coisa com a minha princesinha.

Virginia então, rapidamente e sem pensar, sentou ao lado do pai, olhou-o com uma cara meiga e preocupada, dando continuidade a um respirar profundo disse:

_ Pai, o Nhanhá está querendo dormir esta noite aqui em casa, falei com ele que não teria problema, já que o meu pai conhece bem a sua princesina e sabe que ela não faria nada de errado. Estou certa?

Um tapa na cara. Foi a sensação que ele sentiu. Muitas coisas borbulhavam em sua cabeça, porém, aceitou.

A noite chegou. Conservadoriano sentado na poltrona do papai ainda se indagava sobre a madrugada que se aproximara. Virginia abriu a porta e entrou segurando a mão de Nhanhá. O namorado balançou a cabeça em sinal de cumprimento ao sogro. Conservadoriano o espancava com os olhos. Não passou muito tempo e foram dormir.

O dia seguinte era dia de feira. Ele sabia disso, mesmo assim não dormia, no máximo algumas pescadas, tinha que ficar atento com o que estava acontecendo.

“Toc”. Um barulho vindo do quarto. Eu vou ou não vou? Questionava-o. Levantou da cama, andou de um lado para outro, ouviu outros “tocs” continuou andando. Aquilo podia ser fruto da sua imaginação já que estara muito apreensivo com tudo. Tirou uma garrafa d’água do frigobar, bebeu no bico e em espaçosos goles. Resolveu ir. Caminhou até a porta, segurou na maçaneta, começou a gira-la, refletiu e decidiu não ir. Voltou para a cama e deitou.

Amanheceu, Conservadoriano já estava em pé. Sua princesinha saiu do quarto com um lençol nas mãos, colocou-o no tanque, quando percebeu a presença do pai, voltou, deu-lhe um beijo e continuou a lavar a peça.

Conservadoriano ficou totalmente sem reação. Viu aquele medíocre saindo do quarto e entrando no banheiro. Hora perfeita para verificar a situação. Quando colocou os olhos no quarto a cama ainda estava meio bagunçada. Aliviou-se quando viu um lençol por cima. Ficou convicto que aquele era o lençol da noite, o outro com certeza era algum que estava sujo e sua princesinha resolveu lavar.

Com a consciência mais tranqüila foi para a sala, já estava pronto para ir ao trabalho, esperava apenas Virginia e o namorado, já que daria uma carona até o colégio. Enquanto isso assistia ao jornal sentado na poltrona do papai. Virginia chegou com um olhar meiogo e disse:

_ Pai, hoje o Nhanhá vem dormir de novo, a Claudinha e o Carlos também.

_ Quem é Carlos?

_ O namorado da Claudinha.

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