terça-feira, 4 de setembro de 2012

ASSIM SE FOI



Relutei por muito a dissertar essas linhas. Desconforto-me nesse hostil ambiente em que a emoção sobrepõe a razão. Sentei de fronte ao computador por inúmeras vezes, abri o caderno de rascunho outras tantas e sempre esse visitante indesejável insistia em preencher meus olhos. Não podia mais adiar.

Há quem talvez duvide da intensidade ou da sinceridade destas palavras devido ao pouco tempo de amizade, porém, quando está longe de casa, os amigos se tornam a família. Acrescentado a esse laço a memória do lar, tudo se faz em um relâmpago e não se diferencia meses de anos.

Relâmpago... Essa palavra pode definir o início e o fim. Na mesma velocidade em que tudo construiu, se foi. Um telefonema na manhã de sexta, o coração disparado, a incredulidade e o súbito desejo de ser apenas mais um pesadelo.

Achei que estava preparado para lidar com a morte, mas mais uma vez, bate-me à face minha arrogância. Ao contrário do que fielmente acreditava, nem mesmo a medicina pode ensinar a conviver com essa sombra que nos persegue até o dia em que nos consegue vencer.

Pergunto-me o que é preciso para exercer a prática médica. Conhecimento? Técnica? Isso se constrói durante os anos de faculdade, porém, ela tinha algo a mais, algo que já a fizera destacar-se no primeiro semestre como discente, algo que pensando de forma romântica, talvez seja a mensagem que tenha nos deixado. Amor ao próximo. Com um sorriso sempre à exposição era impossível ficar triste em sua presença.

Mais do que uma promissora médica, o mundo perdeu uma grande pessoa. Nós perdemos uma grande amiga. A família perdeu um inigualável tesouro.

Encerro essas linhas, ainda que precocemente, pois começo a umedecer o rosto e me encontro novamente em ambiente desconfortável e hostil. Porém, não antes de dizer aquilo que já sentia e que foi comungado por todos da sua turma de faculdade. Agora é por você também Calourinha.

SAUDADES ANINHA!!!